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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Trúbrot - Discografia (1969-1972)



Trúbrot - Undir Áhrifum (1970)
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Tracklist

1. Going (4:44)
2. Everything's Alright (4:23)
3. In the Country (2:47)
4. Relax (2:44)
5. Sunbath (2:47)
6. Tracks (3:55)
7. Feel Me (10:34)
8. Stjörnuryk (7:35)


Aqui é fácil. Do primeiro clássico a gente nunca esquece. O impacto da primeira audição é uma cicatriz ígnea no meio da espinha. Uma das mais espetaculares aberturas discográficas de que se tem notícia na história... da Islandesa, a coleção, massariana. Qual MC5 do abismo terrestre, o Trúbrot veio para pregar o gospel. E nesse disco, o fez com uma fleuma de arrepiar.
O Trúbrot foi provavelmente o primeiro supergrupo islandês, com o que isso pode ter de duvidoso. Afinal, já estamos nos anos 1970. (Na Islândia, o que temos é uma lenta evolução até o surgimento de algo parecido com uma indústria, ou uma estrutura mais corporativa articulando mais "profissionalmente" a seara sonora local, estúdios, divulgação... o que só efetivaria a partir do final da década de 1970, graças ao envolvimento direto de músicos trabalhadores, como o pessoal do Trúbrot.)Foram grandes. Supervendedores de discos. (O equivalente ao que vende uma - boa? - banda iniciante de quase qualquer lugar, de três a cinco mil cópias.)A banda foi formada com o final do seminal Hljómar, na virada de 1969 para 1970. No novo time, os craques do Hljómar homem-guitarra Gunnar e baixista-cabeceador Rúnar, mais uma rapaziada circulando, com destaque para a vocalista britânica Shady Owens (em alguns registros) e para o camarada pianista exemplar Magnús "Maggi" Kjartansson, dentro outras coisas ex-Ódmenn (vários registros, integrante fundamental).Na Islândia, fizeram e aconteceram. São meia dúzia de discos lançados ao longo da década de 1970. Os vinis originais, surpresa, valem aquela grana. Mas, diferentemente de vários comparsas contemporâneos, estão à disposição em CD. Há edições islandesas e "internacionais", Inglaterra, Japão, Coréia etc. Tudo razoavelmente obscuro, mas procurável e encontrável.Qual o clássico do grupo? Parece não haver consenso entre os conhecedores. Avaliação pelo valor do mercado colecionístico? Nem pensar. Dentre os mais cobiçados estão a estréia. Trúbrot, gravado no Trident Studios, em Londres, no final de 1969 (com Shady Owens participando das voezes) e Lifun, de 1971. Não há dúvidas à sombra do vulcão, irmãos e irmãs! Undir Áhrifum ("sob a influência"), de 1970, com o Trúbrot exibindo sua clássica formação quarteto, é não só o melhor disco do grupo islandês, mas um dos melhores registros discográficos do gênero no período.(O Trúbrot figura, por vezes com certo destaque, nos tomos especializados em "progressivos" e derivados. Aviso: há muito pouco de onanismo progressivóide nesse disco. O que não quer dizer que seja necessariamente um problema figurar nos cânones progressivos. Mas é que, no caso, é bem mais embaixo.)A introdução, "Going", é uma desgraça! MC5 encontra Steely Dan numa quebrada do fim do mundo. As guitarras do lendário Gunnar Thórdarson estão impossíveis. O velho Allman e o velho Gallagher devem estar felizes... Até as protobaladas são boas! Em "Tracks", ecos cristalinos do mais lúdico e apaixonado Faces. O camarada Maggi arrasando no piano. Já falei do arrepiante épico "Feel Me", pouco mais de dez minutos, com direito a intermezzo de matriz stonesiana, simpatia demoníaca, que nos prepara para o viajante encerramento "Stjörnuryk", a única em islandês do disco? Nem vou tentar.Undir Áhrifum é um verdadeiro triunfo para a grande discografia islandesa dos bons sons. Se achar outro, compro e fico com dois.

texto retirado de MASSARI, Fábio. Rumo à Estação Islândia. São Paulo: CONRAD, 2001, p.49-51.

DISCOGRAFIA TRÚBROT

Trúbrot (1969)
Tracklist

01. Sama er mér
02. Hlustaðu á regnið
03. Þú skalt mig fá
04. Við
05. Frelsi andans
06. Konuþjófurinn
07. Byrjenda Boogin
08. Elskaðu náungann
09. Án þín
10. Lít ég börn að leika sér
11. Afgangar
12. Breyttu bara sjálfum þér
13. Ég sé það
14. Ég veit að þú kemur
15. Starlight
16. Hr. hvíta skyrta og bindi
17. A Little Song of Love


... Lifun (1971)
Tracklist
01. I. Forleikur, part 1
02. I. Forleikur, part 2
03. Hush-a-bye
04. To Be Grateful
05. School Complex
06. Tangerine Girl
07. Am I Really Livin'
08. II. Forleikur
09. What We Believe In
10. Is There Hope For Tomorrow
11. Just Another Face
12. Old Man
13. Death And Finale


Mandala (1972)
Tracklist
01. Mandala
02. My friend & I
03. Down by the water
04. Coming your way
05. Drifting
06. Rise & shine
07. Today
08. Mr. Moonshine
09. Pleasant daydreams
10. All I wanna do
11. Scezio pan

sábado, 21 de setembro de 2013

Hljómar - 2º álbum (1968)

Hljómar - Hljómar (1968)

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O segundo álbum dos "Beatles de Keflavík".
Tracklist
01. Sandgerður
02. Ástarsæla
03. Ég elska alla
04. Lífsgleði
05. Er hann birtist
06. Saga dæmda mannsins
07. Dansaðu við mig
08. Ég mun fela öll mín tár
09. Vertu kyrr
10. Að kvöldi dags
11. Ég er þreytt á þér
12. Regn óréttlætisins

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Thor's Hammer - Umbarumbamba EP (1966)


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Os "Beatles de Keflavík" em versão internacional.

Thor's Hammer (martelo de Thór) foi o nome utilizado pelos integrantes do Hljómar para "versão tipo exportação" do grupo. Esse EP traz algujmas das faixas do filme Umbarumbamba que ambicionava ser uma espécie de A Hard Day's Night do Thor's Hammer. Como relata Massari, "financeiramente foi uma catástrofe. O que era pra ser um longa de hora e pouco de duração acabou virando um superclipe de treze minutos. Descrito por uma testemunha, 'um filme sobre encher a cara, dançar e brigar... no interior (da Islândia)... uma coisa bem primitiva'. A Hard Day's Night?"


Tracklist
Lado A 1. I Don't Care
Lado A 2. The Big Beat Country Dance
Lado B 1. My Life
Lado B 2. Better Days

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Hljómar - 1° album (1967)

O primeiro álbum dos "Beatles de Keflavík"
Hljómar (1967)
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E NO PRINCÍPIO ERA o Hljómar. Os sons, os acordes, os tons – são as traduções possíveis para o nome da banda – dos cabeludos de Keflavík. O Hljómar foi o primeiro grupo beat da Islândia. E foi o primeiro em outras coisas: gravaram o primeiro disco do beat-rock-pop islandês; foram os primeiros a tentar o mercado internacional (com relativo sucesso); foram os primeiros a trabalhar (forçando a barra e abrindo caminho) em islandês, com material próprio, original, ainda que muitas vezes extremamente derivativo; os primeiros a experimentar os prazeres do sucesso e a decadência. Seus discos, hoje em dia, são dos mais procurados (portanto dos mais caros) pelos colecionadores interessados no período...

Verdadeira gema da psicodelia leve. Lançado oficialmente em 1967. Essa edição digital foi lançada em 1992 pela etiqueta islandesa Steinar. O vinil original é dos caros e não encontráveis aqui na Islândia. Gravado em Londres, o disco, todo em islandês, traz meia dúzia de versões de clássicos combinados com material original. Sem querer me complicar, provavelmente já o fazendo, trata-se de Yardbirds com corte folk na fase lânguida de uma viagem ácida! Encontramos “California Dreamin”, “Love Hurts”, “Nowhere Man” e “Rain on the Roof”, tudo em islandês, mais delícias psychbeat selecionadas, com toques guitarrísticos magistrais cortesia do heróico Gunnar Thórdarson. (Outros títulos do Hljómar, com direito a boa coletânea retrospectiva, estão disponíveis em CD. São lançamentos islandeses de fins dos anos 1990. Estão “acabando”, e as reedições nem são tão freqüentes).

Tracklist
01. Heyrðu mig góða - 2:36
02. Sveitapiltsins draumur (California Dreamin icelandic cover) - 2:22
03. Miðsumarnótt - 4:09
04. Hringdu - 2:33
05. Þú og ég - 3:09
06. Æsandi fögur - 2:13
07. Peningar - 2:37
08. Þú ein (Love Hurts icelandic cover) - 2:29
09. Einn á ferð (Nowhere Man icelandic cover) - 2:26
10. Syngdu - 2:40
11. Um hvað hugsar einmana snót (Rain on the Roof icelandic cover) - 2:08
12. Gef mér síðasta dans - 2:39

MASSARI, Fábio. Rumo à Estação Islândia. São Paulo: Conrad, 2001, p. 41, 45-46.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Coletânea - Rokk í Reykjavík (1982)



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Tracklist
........................CD 1
01. Vonbrigði - Ó Reykjavík (2:36)
02. Egó - Sieg Heil (2:00)
03. Fræbbblarnir - Gotta Go (1:49)
04. Purrkur Pillnikk - Óvænt (1:12)
05. Þeyr - Rúdólf (2:55)
06. Q4U - Creeps (1:55)
07. Egó - Breyttir Tímar (2:32)
08. Bodies - Where Are The Bodies (5:20)
09. Tappi Tíkarrass - Hrollur (2:47)
10. Baraflokkurinn - Moving Up To A Motion (3:26)
11. Spilafífl - Talandi Höfuð (3:09)
12. Þursaflokkurinn - Í Speglinum (4:13)
13. Friðryk - Í Kirkju (2:53)
14. Start - Lífið Og Tilveran (3:32)
15. Grýlurnar - Gullúrið (3:19)
........................CD 2
01. Egó - Sat Ég Inni Á Klepp (3:45)
02. Purrkur Pillnikk - Gluggagægir (3:19)
03. Tappi Tíkarrass - Dúkkulísur (2:57)
04. Mogo Homo - Bereft (3:25)
05. Jonee Jonee - Hver Er Svo Sekur (2:50)
06. Þeyr - Killer Boogie (2:55)
07. Bodies - Kick Us Out Of The Country (2:04)
08. Jonee Jonee - Af Því Pabbi Vildi Það (1:50)
09. Fræbbblarnir - Í Nótt (2:06)
10. Vonbrigði - Guðfræði (3:20)
11. Egó - Stórir Strákar (3:15)
12. Q4U - Gonna Get You (1:28)
13. Q4U - Toys (2:07)
14. Sjálfsfróun - Lollipops (3:04)
15. Sjálfsfróun - Antichrist (1:14)
16. Sjálfsfróun - Sjálfsfróun (0:51)
17. Bruni BB - Af Litlum Neista Verður Mikið Mál (2:40)
18. Sveinbjörn Beinteinsson - Rímur (2:08)

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......Rokk Í Reykjavík foi o segundo documentário dirigido por um dos mais festejados cineastas islandeses, Fridrik Thór Fridriksson.......Rokk Í Reykjavík (1982) integrou a trilogia que estabelece o início das atividades cinematográficas de FTF, com The Blacksmith (1981) e Icelandic Cowboys (1984). FTF é responsável por alguns dos mais bem-sucedidos títulos da cinematografia moderna islandesa. É um colecionador de prêmios, seus filmes servidos com petiscos finos nos festivais descolados do planeta. Só Children of Nature faturou mais de vinte prêmios internacionais, com direito a ter sido indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 1993. Disponível no Brasil nas melhores lojas do ramo! FTF prestou ainda tributo "tornatoriano" ao cinema com Movie Days (1994) elogo em seguida emplacou com o cult Cold Fever (1995). Na quebrada do milênio, FTF chega à telona com sua versão agonizante, redentora?, do livro Angels of the Universe, best-seller local da "personalidade" literária Einar Már Gudmundsson, uma históiria de anjos. E queda.
......Rokk Í Reykjavík é o registro documental do olho do furacão punk islandês. Com bastante bossa cinematográfica, planos ousados para a época, boas sacadas angulares, ótimos cortes, edição esperta, captura dezenove bandas (dezoito e um poeta) dessa revolução islandesa em desempenho ao vivo pelos palcos da capital, no período 1981-82 (segundo especialistas, os primeiros acordes revolucionários foram disparados em 1979, os últimos estampidos em 1983). Como recheio as apresentações, entrevistas com as bandas e discussão, com a galera, de assuntos "delicados" relacionados à cena musical e à "tribal" sociedade islandesa, como drogas, violência, desemprego etc.......Rokk Í Reykjavík é uma espécie de "Punk Rock Movie" (filme de Don Letts) islandês... Mas é bom reforçar a preocupação cinematográfica de FTF ao realizar seu filme, e o caráter mais "relaxado", no bom sentido - super 8! - de Don Letts ao realizar o seu sobre a primeira geração do punk britânico. Ou dá para dizer que Rokk Í Reykjavík, que aliás quer dizer isso mesmo, rock em Reykjavík, é um tipo selvagem de Decline of Western Civilization, o histórico retrato de uma célula do punk californiano (Germs, Black Flag, Fear e outros flagrados em ação na virada de 1979 para 1980) por Penelope Spheeris, com não menos histórica trilha sonora lançada pela não menos histórica etiqueta do punk local, Slash Records. Se "o começo do fim do mundo" tivesse sido devidamente registrado.........A velha história, outra festa punk... Despertar da letargia clássica, aniquilar subculturas estabelecidas (covers e pseudodance), impor modelo anárquico de açaõ de sabotagem estética... o bom e velho "faça você mesmo" e dedo no olho dos embaçocratas da vida.........Seminal é pouco. Purrkur Pillnikk, Theyr, Tappi Tíkarrass (Kukl e Sugarcubes como combinações futuras), Fraebbblarnir, Ego, Q4U, Bodies (essa merece: "Kick us Out of the Country") e o esporrando Vonbrigdi, com o hino casca grossa "Ó Reykjavík". Uma cena realmente explosiva... qual as erupções vulcânicas que destroem para forjar, para moldar o novo território, o advento do punk rock islandês redesenhou definitivamente os caminhos da cena musical local. Nada foi o mesmo depois de Rokk Í Reykjavík.......O diretor FTF estava no lugar certo na hora certa com as intenções certas.......O filme é do tipo "todo o mundo viu". Na minha pequena pesquisa pessoal, todo mundo o viu "algumas vezes" Até meados da década de 1990, podia ser visto com certa freqüência nos cinemas (acho que o número de salas islandesas cabe nas mãos...) ou mesmo adquirido nas lojas especializadas daqui. O mesmo vale para a trilha sonora. Figura na lista virtual de best-sellers de todos os tempos. Ainda na pesquisa, percebi que muita gente faz questão de destacar que o importante, o "influente" mesmo é o filme. Impressão pessoal: pouca "ressonância" da marca cultural Rokk Í Reykjavík nas gerações eminentemente eletrônicas.......Rokk Í Reykjavík, o disco, é indispensável. Ganha reedições ocasionais. Essa daqui é a de 1993. O vinil original não se encontra nem em sebo. A versão em CD, sem as fotinhas legais do interior da capa dupla original, traz Björk, do Tappi Tíkarrass, à frente, em pose já clássica ao lado do tamborzinho (sim, conexões-especulações mil com o tambor de Günter Grass). Difícil avaliar a quantidade de gente que compra, e compra, o disco por sua causa, sendo esse um daqueles títulos que podem ser encontrados em lugares de orientações mais... turísticas. Afortunados desavisados. Além das duas com Björk, levam de quebra mais trinta e uma surpreendentes e deliciosas tortadas na cara.......O som furioso da Islândia se transformando.......A coletânea Naelur é uma espécie "informal" de "melhores momentos" de Rokk Í Reykjavík. São 18 faixas, com o mesmo pessoal, vários casos fazendo a mesma coisa... Não tem Björk na capa, mas tem adesivo informando que a coletânea contém duas faixas com o Tappi Tíkarrass de Björk. Nesse caso, faixas diferentes. Bom para colecionadores e interessados, já que o Tappi Tíkarrass continua inédito em CD. Destaque para as notas explicativas em inglês, a cargo do especialista no assunto Árnil Mathíasson, dentre outras atribuições curriculares, biógrafo oficial do Sugarcubes.

texto retirado de MASSARI, Fábio. Rumo à Estação Islândia. São Paulo: CONRAD, 2001, p.61-64.